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Raquianestesia

Aplicação da raquianestesia em paciente
Imagem: Shutterstock

 

A raquianestesia é uma técnica que faz parte das anestesias parciais. O objetivo deste método é bloquear temporariamente a sensibilidade de uma parte específica do corpo.

A anestesia raquidiana é aplicada através da região lombar das costas, entre as vértebras da coluna, em um local abaixo da medula espinhal. Dessa forma, os nervos que passam por essa região não transmitirão os estímulos nervosos para o cérebro. 

Como a raquianestesia é aplicada?

A anestesia raquidiana é administrada preferencialmente com o paciente sentado. Dessa forma, o anestesista vai examinar a coluna e localizar o melhor espaço entre as vértebras para conseguir atingir e perfurar a membrana dura-máter, utilizando uma agulha de pequeno calibre. O objetivo do anestesista é injetar o medicamento no local onde circula o líquido cefalorraquidiano (líquor).

A dura-máter compreende todo o comprimento da coluna vertebral e é a membrana mais externa da meninge, conjunto de membranas que protegem o cérebro, o cerebelo, o encéfalo e a medula espinal.

O efeito da raquianestesia acontece logo após sua aplicação, promovendo um bloqueio sensitivo e motor. A perda da sensibilidade começa de baixo para cima, isto é, dos pés para o umbigo.

Para reduzir o incômodo e ansiedade causados pela injeção, é comum que o anestesiologista associe sedação antes do procedimento e realize uma anestesia local na região da inserção da agulha da raquianestesia.

Os medicamentos utilizados na raquianestesia são os anestésicos locais, podendo ser utilizados adjuvantes como os opioides, que promovem alívio da dor no período pós-cirúrgico.

Após o procedimento cirúrgico, o paciente é conduzido para a sala de recuperação pós anestésica, onde a sensibilidade e os movimentos são restaurados. Isso acontece na ordem contrária do efeito da anestesia, isto é, de cima para baixo.

Quando a raquianestesia é indicada?

A anestesia raquidiana pode ser utilizada em vários procedimentos cirúrgicos. Alguns deles são:

  • Cirurgias urológicas;
  • Cirurgias ginecológicas;
  • Cirurgias infraumbilicais;
  • Cirurgias ortopédicas nos membros inferiores;
  • Cirurgias obstétricas — como a cesariana, por exemplo;
  • Cirurgias na parede abdominal abaixo do umbigo.

É importante ressaltar que a raquianestesia tem um tempo de duração máxima, devido a quantidade limite que pode ser administrada de anestésico local. Por esses motivos, a raquianestesia é recomendada para cirurgias que tenham duração máxima de 3-4 horas.

Quando a anestesia raquidiana é utilizada durante uma cesariana é comum aplicá-la sem a sedação. Dessa maneira, a paciente acompanha o nascimento do filho e não são transmitidos medicamentos sedativos para o bebê através da placenta.

Quais são as contraindicações da raquianestesia?

Existem algumas situações nas quais a administração da raquianestesia não é indicada. As principais delas são:

  • Cirurgias com duração não estimada;
  • Recusa do paciente;
  • Infecção no local de punção;
  • Pressão intracraniana elevada;
  • Patologia neurológica indeterminada ou em progressão;
  • Presença de distúrbio de coagulação;
  • Uso de medicamentos que alteram a coagulação;
  • Grave comprometimento cardíaco: insuficiência cardíaca grave, estenose aórtica, estenose mitral.

Quais são as complicações da anestesia raquidiana?

  • Bradicardia (diminuição do ritmo dos batimentos cardíacos);
  • Hipotensão arterial (pressão baixa);
  • Dificuldade para respirar;
  • Cefaleia pós-punção (dor de cabeça intensa, exacerbada quando o paciente assume a posição sentada associada a náuseas e vertigens).

Quando são utilizados adjuvantes, como os opioides, os efeitos colaterais associados a essas medicações são:

  • Prurido;
  • Retenção urinária;
  • Náuseas e Vômitos;
  • Sonolência;
  • Depressão respiratória.

Quais são as vantagens da raquianestesia?

Além de ser uma técnica anestésica segura, a raquianestesia possui várias vantagens. Os principais benefícios da raquianestesia são:

  • Rápida recuperação;
  • Ação com início rápido;
  • Controle da dor pós-cirúrgica;
  • Alta intensidade de bloqueio motor e sensitivo;
  • Alto controle do nível de anestesia, preservando a consciência do paciente;
  • Possibilidade de utilizar uma quantidade pequena de anestésico local, diminuindo os riscos provenientes da técnica.

O que é a cefaleia pós punção?

A dor de cabeça ocorre secundária ao orifício que é feito na dura-máter. Clinicamente, essas cefaleias aparecem e pioram de intensidade quando o paciente fica sentado e melhoram quando o paciente fica deitado sem elevação da cabeça. Podem estar associados sintomas como náuseas e vertigens.

O tratamento inicial é clínico através do uso de analgésicos, hidratação e repouso sem elevação da cabeça. Quando a intensidade é muito elevada e/ou não melhora em alguns dias, pode ser feito um procedimento chamado Blood patch, que tem o objetivo de tampar o orifício com coágulo de sangue do próprio paciente.

É recomendado não levantar a cabeça após receber a raquianestesia para evitar a cefaleia? O fato de levantar a cabeça não altera a incidência dessa complicação. Atualmente, a incidência da cefaleia pós punção é extremamente baixa devido ao uso de agulhas de raquianestesia mais finas e com pontas mais apropriadas. Por isso, não é mais recomendado os pacientes ficarem em decúbito dorsal e sem elevação da cabeça após o procedimento.

Coceira após a raquianestesia é alergia?

Processos alérgicos com a raquianestesia são raros. A coceira, chamada de prurido, normalmente ocorre devido ao uso de opioides, como a morfina. Esse prurido não é decorrente de um processo alérgico e é extremamente comum. Caso o prurido seja muito intenso, pode ser feito um medicamento que inibe a ação do opioide parcialmente e consequentemente diminua esse desconforto, sem afetar a qualidade da analgesia.

Fontes:

Jornal da USP (Universidade de São Paulo);

Clínica Médica Integrada de Anestesiologistas (CMIA).

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